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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO



Rui Padilha, estagiário do INOV Contacto (C14) encontra-se na Companhia de Electricidade de Macau - CEM, S.A.

Este artigo é escrito sobre um recente território chinês com "cheirinho" a Portugal: Macau. Mas engana-se quem pensa que Macau tem mais do que este quase imperceptível aroma, pois, infelizmente, isso não acontece, e é única e simplesmente responsabilidade nossa.

 

De facto, facilmente se sente na população mais jovem um profundo desconhecimento de Portugal e da nossa história conjunta, algo que se tende a deteriorar ainda mais, com o passar do tempo.

 

Quem vem a Macau consegue, de certeza, ver e sentir uma ligação a Portugal, nem que seja pelos Portugueses que por cá andam, pela nossa calçada, por alguns pratos típicos ou pelas placas informativas escritas na nossa língua (diga-se, que com muitos "pontapés" na gramática), mas esta relação ainda existente é ao passado e não ao futuro.

 

Na minha opinião, Macau é subestimado no seu potencial. Desde 1983 que está integrado no conceito do Delta do Rio das Pérolas, juntamente com Hong Kong e Cantão, com o objectivo de unir sinergias, em vez do desenvolvimento independente. De facto, duas décadas depois, esta que já era uma das zonas mais dinâmicas da China, passou a chamar-se Grande Delta do Rio das Pérolas, com a inclusão de mais oito províncias. Este projecto não é apenas de integração económica, mas também turística.

 

Macau, que aparenta ter limitações a nível de dimensão, com os seus escassos 29,2 km2, é a região no mundo com maior densidade populacional. Ainda para mais, as ruas de Macau estão cada vez mais inundadas de turistas, tendo atingido os 22 milhões de visitantes em 2009, número que tende a aumentar, sendo a maior parte proveniente do país com o maior número de habitantes no mundo, a China (50,52%), seguido por Hong Kong (30,93%).

 

Se até agora podiam ser reconhecidas fragilidades ao Aeroporto Internacional de Macau, a partir de 2016 este facto será alterado, após a construção da maior travessia do mundo sobre o mar, que ligará o aeroporto de Hong Kong a Macau e Zhuhai.

 

Não obstante todo o potencial deste ex-território português, uma abordagem ao mercado poderá não ser assim tão fácil, pois não nos podemos esquecer que as diferenças culturais são profundas e os hábitos e costumes completamente diferentes.

 

Mesmo assim os nossos produtos têm capacidade para vingar! Produtos que são a bandeira de Portugal, como o vinho, poderiam ver o seu nível de vendas potenciado, com uma diferente interacção com o mercado, já que sendo um produto que facilmente é encontrado à venda, por outro lado, não é suficientemente bem promovido junto da comunidade.

 

Devemos ver em Macau uma porta para o grande mercado asiático, mas podemos fazer o contrário também, porque não fazer de Portugal uma porta para a Europa? Nós temos o ‘know-how’ suficiente para Macau precisar de nós como mediadores entre a cultura europeia e asiática. Podemos ser os embaixadores da Europa.

 

Autor:  Rui Padilha

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